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A
Intermediação de Maria Mãe de Deus, e nossa, em prol da Família |
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“Todo aquele que
quiser tornar-se grande entre vós, se faça vosso servo. E o que
quiser tornar-se entre vós o primeiro, se faça vosso escravo.”
Eis aqui um texto que os inimigos da Igreja lembram e comentam
apaixonadamente. Cristo não exaltou nunca ao superior, nem ao
sacerdote, nem ao chefe. Para Ele, o que faz ser um discípulo seu,
não é a autoridade, nem a ciência, sim o serviço. Rejeitou
expressamente como uma tentação de Satanás o domínio e o poder
absolutos sobre os povos.
Mas todos nós sentimos a tentação de recorrer a esses meios de
governo, porque nos parecem muito mais eficazes para conduzir aos
homens que a persuasão, a liberdade e o amor. Alguns discípulos
desejavam exercer um apostolado desde um trono, e Jesus lhes revelou
que o exerceriam desde a cruz.
A igreja tem que converter aos homens por meio da manifestação do
espírito de Deus e suas invenções desconcertantes. E esses estão
expressos nas bem-aventuranças dos pobres, dos misericordiosos e dos
perseguidos. Mas nós nos sentimos espontaneamente mais a vontade
submetendo-os por meio de uma organização que lhes dispense de
escutar ao Espírito e lhes obrigue a obedecer aos chefes.
Cristo é o chefe e mestre por excelência. Para saber como deve ser
exercida a autoridade na igreja, há que ver apenas como Ele usava
seus poderes. Para Ele, seu reino era uma sociedade radicalmente
distinta dos estados e das nações. Não se impôs aos homens por
necessidade, se não por opção de consciência. Seu convite típico
apela à liberdade: “Se queres ser meu discípulo…; se queres ser
perfeito…; feliz serás se atuas desta maneira!…” A autoridade cristã
tem que proceder pelo convencimento, instruindo, iluminando,
persuadindo.
Mas estes exemplos e estas instruções de Jesus estavam francamente
em contradição com as ambições naturais de seus discípulos, que se
há repetido indefinidamente na história da Igreja. Pouco a pouco a
noção de serviço foi mudando, enquanto se concedia especial atenção
aos títulos, as pompas e a honras.
Entretanto, o mais extraordinário que há na Igreja é que sua
fidelidade ao Evangelho lhe obriga a julgar-se e a reformar-se sem
cessar. O Concílio Vaticano II lembra as exigências evangélicas de
serviço e as confronta com a noção e o funcionamento da autoridade
eclesiástica.
Volta-se a descobrir na atualidade que a autoridade na Igreja não é
o poder de impor aos membros as decisões de um chefe, se não a
capacidade de promover uma conversão. Não se trata de ordenar ou de
banir, se não de apelar à consciência e a convicção. O chefe não é o
que dá ordens, mas o que cria uma atmosfera de fé, de amor e de
respeito, uma comunhão de idéias e de aspirações.
Jesus não falou que na igreja houvesse perigo de anarquia, mas
denunciou abundantemente o perigo de um poder eclesiástico exercido
como o poder civil. Jesus não disse que os chefes tenham que
governar, mas comportar-se como escravos e servidores; que o
verdadeiro chefe é aquele que mais serve aos demais.
Só um espírito evangélico, só o espírito de Jesus pode inspirar aos
responsáveis eclesiásticos a forma de cumprir com esta missão. Do
bom exercício da autoridade, assim como do bom emprego da riqueza, é
necessário dizer com Jesus: “Isto é impossível aos homens, mas tudo
é possível para Deus”.
O único trono, o único poder, a única autoridade que Cristo prometeu
a seus discípulos, é amar como Ele, beber seu cálice, dar sua vida
por amor aos irmãos.
Perguntas para a reflexão
1. Como exerço a autoridade em minha igreja doméstica?
2. Como é minha relação com os sacerdotes, párocos...?
3. Creio que os chefes devem servir, ou é uma utopia pra mim?
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