A Intermediação de Maria Mãe de Deus, e nossa, em prol da Família

 
Padre Nicolas

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A Autoridade na Igreja
“Todo aquele que quiser tornar-se grande entre vós, se faça vosso servo. E o que quiser tornar-se entre vós o primeiro, se faça vosso escravo.”

Eis aqui um texto que os inimigos da Igreja lembram e comentam apaixonadamente. Cristo não exaltou nunca ao superior, nem ao sacerdote, nem ao chefe. Para Ele, o que faz ser um discípulo seu, não é a autoridade, nem a ciência, sim o serviço. Rejeitou expressamente como uma tentação de Satanás o domínio e o poder absolutos sobre os povos.

Mas todos nós sentimos a tentação de recorrer a esses meios de governo, porque nos parecem muito mais eficazes para conduzir aos homens que a persuasão, a liberdade e o amor. Alguns discípulos desejavam exercer um apostolado desde um trono, e Jesus lhes revelou que o exerceriam desde a cruz.

A igreja tem que converter aos homens por meio da manifestação do espírito de Deus e suas invenções desconcertantes. E esses estão expressos nas bem-aventuranças dos pobres, dos misericordiosos e dos perseguidos. Mas nós nos sentimos espontaneamente mais a vontade submetendo-os por meio de uma organização que lhes dispense de escutar ao Espírito e lhes obrigue a obedecer aos chefes.

Cristo é o chefe e mestre por excelência. Para saber como deve ser exercida a autoridade na igreja, há que ver apenas como Ele usava seus poderes. Para Ele, seu reino era uma sociedade radicalmente distinta dos estados e das nações. Não se impôs aos homens por necessidade, se não por opção de consciência. Seu convite típico apela à liberdade: “Se queres ser meu discípulo…; se queres ser perfeito…; feliz serás se atuas desta maneira!…” A autoridade cristã tem que proceder pelo convencimento, instruindo, iluminando, persuadindo.

Mas estes exemplos e estas instruções de Jesus estavam francamente em contradição com as ambições naturais de seus discípulos, que se há repetido indefinidamente na história da Igreja. Pouco a pouco a noção de serviço foi mudando, enquanto se concedia especial atenção aos títulos, as pompas e a honras.

Entretanto, o mais extraordinário que há na Igreja é que sua fidelidade ao Evangelho lhe obriga a julgar-se e a reformar-se sem cessar. O Concílio Vaticano II lembra as exigências evangélicas de serviço e as confronta com a noção e o funcionamento da autoridade eclesiástica.

Volta-se a descobrir na atualidade que a autoridade na Igreja não é o poder de impor aos membros as decisões de um chefe, se não a capacidade de promover uma conversão. Não se trata de ordenar ou de banir, se não de apelar à consciência e a convicção. O chefe não é o que dá ordens, mas o que cria uma atmosfera de fé, de amor e de respeito, uma comunhão de idéias e de aspirações.

Jesus não falou que na igreja houvesse perigo de anarquia, mas denunciou abundantemente o perigo de um poder eclesiástico exercido como o poder civil. Jesus não disse que os chefes tenham que governar, mas comportar-se como escravos e servidores; que o verdadeiro chefe é aquele que mais serve aos demais.

Só um espírito evangélico, só o espírito de Jesus pode inspirar aos responsáveis eclesiásticos a forma de cumprir com esta missão. Do bom exercício da autoridade, assim como do bom emprego da riqueza, é necessário dizer com Jesus: “Isto é impossível aos homens, mas tudo é possível para Deus”.

O único trono, o único poder, a única autoridade que Cristo prometeu a seus discípulos, é amar como Ele, beber seu cálice, dar sua vida por amor aos irmãos.

Perguntas para a reflexão

1. Como exerço a autoridade em minha igreja doméstica?
2. Como é minha relação com os sacerdotes, párocos...?
3. Creio que os chefes devem servir, ou é uma utopia pra mim?

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