A Intermediação de Maria Mãe de Deus, e nossa, para nos levar ao Cordeiro de Deus

 
Padre Nicolas

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Os leprosos
No Novo Testamento fala-se da cura de leprosos. A lepra era (e segue sendo) uma enfermidade espantosa, porque excluía da comunhão com o povo de Deus. O leproso, além de ser um “castigo de Deus”, era um enfermo do qual se devia fugir, em nome da lei e da higiene.

O livro Levítico nos apresenta uma parte significativa das minuciosas disposições contidas, com o propósito de evitar qualquer contato com o leproso. Tem que viver fora do acampamento e, depois, fora da cidade.

A lepra era a imagem mais apropriada de tudo o que é “impuro”, tanto do ponto de vista moral como religioso. A relação com um leproso “sujava”, o mesmo que o contato com um cadáver. Por isso, se lhe considerava como um morto. E uma cura se considerava como uma verdadeira ressurreição.

É triste constatar como numa comunidade se toma quase sempre o caminho mais fácil do repudio frente ao elemento estranho que incomoda, cria problemas, representa uma ameaça para a tranquilidade em vez de responder com amor e confiança, e escolher a via do diálogo e da paciência.

O esquema disciplinador com muita frequencia resulta muito mais desenvolvido e sofisticado, que o código da misericórdia e do perdão evangélico. A legalidade conta mais que a fraternidade e até que a humanidade.

Entre todas as imposições, a mais cruel era a que obrigava o leproso a “proclamar” sua impureza: “Andará esfarrapado e despenteado, com a barba coberta e gritando: Impuro, impuro!”. Tem o dever de advertir aos outros sua periculosidade social, colocá-los na defensiva contra a própria pessoa “infectada”, e convidá-los a permanecer à distância.

Trata-se de um mecanismo perfeito, para que o pobre desgraçado perceba de que está enfermo por uma culpa pessoal.
A esta lógica do egoísmo se opõe à lógica de Jesus. Não lhe recomenda ao leproso “é justo que aceites a condição desonrosa por razões de saúde pública e pela salvação da alma”.

Se não que lhe diz: “Quero, fique limpo”. Não lhe exorta “tenha paciência, aguente”, se não que lhe faz entender: não aceito, não posso suportar que te sigam tratando desta maneira, que aguentes esta vergonhosa discriminação.

Jesus desafia o contágio, não evita o contato com o impuro. Não duvida em infringir o regulamento, romper o cordão sanitário, fazer saltar os mecanismos de exclusão.

Em todo o Evangelho, Jesus aparece como alguém que suprime as fronteiras, tira os muros de separação, salta por cima dos preconceitos, não aceita as discriminações raciais ou religiosas. Aos olhos de Cristo somente existe o homem sem adjetivos, com quem travar uma relação, uma amizade, um intercambio.

E nós? Se tivéssemos coragem de olhar de frente a realidade, perceberíamos que talvez sejam muitos os “leprosos” que mantemos a distância.

É difícil aceitar e acolher os “leprosos” que estão a nosso lado, os que nós “convertemos” em leprosos. Os que não compartem nossas idéias, os que não nos são simpáticos, mostram-se entediados ou inoportunos, nos aborrecem com seus problemas, nos incomodam com suas misérias, não respeitam nossos programas, nos interrompem colocando em discussão nossa comodidade e nossos privilégios.

Como tratamos os outros? Peçamos a Jesus que nos dê a graça de abrir mais nosso coração aos irmãos que se acercam e que necessitam de nosso apoio, compreensão e amor.

Perguntas para a reflexão

1. Não será que também defendemos nosso “acampamento” privado?
2. Mantemos alguns, fora de nossa tenda?
3. Como trato aos “diferentes”?

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