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Com a fé, com a ressonância do chamado
“vem”, cada discípulo pode realizar o mesmo milagre de caminhar sobre as
águas ao encontro de Jesus, e eu te pergunto qual é o mar que o Senhor
te chama a caminhar para encontrar com Ele?
Na figura do nosso amado primeiro papa Pedro, vemos claramente que a fé,
o crer em Jesus não é apenas uma aventura, mas crer é ousar, é lançar-se
tendo como sustento o chamado do Senhor ‘vem’, não é mais viver em
função do passado, dos traumas, do problema, mas é caminhar para frente,
em função de um futuro, é também viver a conversão, ou seja viver o
seguimento de Jesus no aqui e agora. De um certo modo a fé é obediência
a sua palavra “vem”. Se Jesus nos chama para algo, embora nos sentimos
limitados e fracos, é Ele que nos sustentará, à medida que caminharmos
na fé, na obediência a sua palavra.
Para caminharmos sobre as águas como Cristo, necessitamos da firmeza da
fé, crendo na sua palavra, na sua solicitação, no chamado que Ele fez e
na demonstração do seu plano revelado no íntimo do nosso coração, de
modo que o que nos impulsiona não sejam as coisas e as situações deste
mundo, as nossas vontades, mas o projeto que Ele tem revelado no nosso
interior, e assim viver com esperança, esperança que o Senhor pode
realizar até o que pede o nosso coração, desde que estejamos já na vidas
da graça.
Caso a nossa barca esteja agitada pelas ondas do mar, empurrada pelos
ventos contrários e perdida na escuridão da noite, a qual nos traz
muitos medos, sempre se aproxima de nós a alba do dia, que é Jesus
caminhando ao nosso encontro gritando para nós “Coragem, não tenha medo,
sou eu”!
Jesus chama Pedro em meio às turbulências do vento e do mar, para que
ele, Pedro, dê um novo passo no seu seguimento, para que confie e não
temas e, imediatamente, Pedro responde ao chamado “Vem” e lança-se a
caminhar no mar, e rapidamente se cumpre um milagre, Pedro caminha sobre
as águas agitadas do mar da vida. Surgem as incertezas e Pedro se
esquece rápido de que se colocou a caminho por obediência a palavra de
Jesus, e afunda, mas de seu coração brota um grito “Senhor salva-me!”, e
Jesus pega na mão de Pedro, não o deixar afundar, e lhe dá novamente a
vida.
Mas, sentindo o vento forte, teve medo; e, começando a afundar, clamou,
dizendo: Senhor, salva-me! Assim, entre a oscilação da fé e a dúvida,
surge o grito que abre o caminho a para a salvação: “Senhor Salva-me!”.
Grito de fé, de medo, de morte, raiz da fé.
É interessante contemplar esta passagem se colocando no lugar de Pedro
que percebe que o milagre de caminhar sobre as águas, não serve para
reforçar a fé, caminha, duvida e afunda, e mais tarde seguirá o Senhor,
não mais atraído por caminhar sobre ás águas, por milagres, por sinais
sobrenaturais, mas atraído em testemunhar a sua fé, em caminhar seguindo
os passos do mestre para o Calvário, andando atrás de Jesus não porque
Ele sabe suspender o vento e a fúria do mar, mas porque sabe amar,
fazer-se próximo, amando.
Teologicamente o grito de Pedro, “Senhor Salva-me!”, é a tradução do
nome de Jesus, Deus salva. È de um lado o grito do homem em busca de
salvação, do socorro, da vida, e do outro o grito de Deus que chama o
homem para salvá-lo.
É belo ver como a voz de Jesus “Vem!”, ressoa ainda hoje em nossas
vidas, como também é belo ver Jesus estendendo a mão para segura-lo, e
segurando-o, disse-lhe: Homem de pouca fé, por que duvidaste?
Imagino que, neste momento, Jesus estendeu a mão para Pedro que tremia
de medo, tinha a sua face transfigurada, levantou-o e abraçou sorrindo,
pronunciando: “Homem de pouca fé, porque duvidastes!”, Como se quisesse
dizer, “Pedro, Pedro, ainda não percebeu que Sou Eu o Senhor da tua
vida? Confie em mim”!.
Contudo, embora entusiasta era a fé de Pedro, ela era motivo de alegria
para Jesus. Jesus sabia que ele era fraco como nós, que sempre
duvidamos. Mas Jesus lhe estende a mão. Acredito que todas as vezes que
também nós estendemos a nossa mão para o Senhor, lhe pedindo socorro, se
cumpre a profecia de Isaias 59, 1 : “A mão do Senhor não é curta para
salvar e nem seus ouvidos incapazes de ouvir”!, pois como diz o Salmo
120, 3-4 “O Senhor guardará os teus passos, não deixará que teu pé
vacile”!. Deus não está longe da nossa tempestade, espera apenas que o
invoquemos com o mesmo grito de Pedro “Senhor salva-me”!
“Porque tivestes medo, homem de pouca fé”?. Na verdade o homem de pouca
fé não era somente Pedro, mas todos os discípulos, Pedro foi apenas
aquele que ousou imitar Jesus caminhando sobre as águas e porque ainda
confiava muito em si mesmo afundou. O homem pode seguir Jesus, apenas
obedecendo-o e aqui está a diferença entre haver fé, ou não ter fé.
“Homem de pouca fé, porque duvidastes”?. É certamente esta a palavra de
Deus dirigida para o homem e o exemplo é Jesus, que se deixou encontrar
por Pedro, que tinha pouca fé, cessando a tempestade. É uma linguagem
que descreve os momentos que passamos tantas vezes...
Vivemos situações que pensamos não ser possível mais vivê-las, pois
aquilo que acontece em nós e ao nosso lado, parece não oferecer mais
saída. Situações que descrevem a fragilidade humana, ou se preferir,
experiências de falimento dos nossos sonhos, acompanhadas por
desconfianças.
É o momento em que não conseguimos mais ver o amanhã da esperança...como
se não tivesse mais nada a ser feito, ou como se não tivesse mais
ninguém a te estender a mão, como se Deus não existisse.
Pedro é o homem de pouca fé, não porque duvida, mas porque pede
milagres. No entanto, porque é ainda fraco, Jesus lhe estende a mão e
abraça a cruz, morre na cruz por ele, para cessar a incredulidade, a
fraqueza e o medo que havia em seu coração, no nosso coração.
PERMANECEI NA PAZ E CAMINHAI SEMPRE NELA!
UM FRATERNO ABRAÇO!!!
PANIE JEZU UFAM TOBIE!!! |