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Martinho nasceu no ano de 590 em Todi, região da
Úmbria, Itália. Sua família era nobre. Sacerdote em
Roma, um grande estudioso, inteligência notável, de
grande caridade para com os pobres. Foi enviado a
Constantinopla pelo Papa Teodoro I como apocrisiário
(uma espécie de embaixador eclesiástico junto aos
governantes) para negociar a deposição canônica do
patriarca herético Pirro.
Depois disso, falecendo
Teodoro, foi eleito no seu lugar, em julho de 649. Ao
longo do seu papado, ordenou 33 Bispos, cinco Diáconos e
11 Sacerdotes, e pela primeira vez foi celebrada a festa
da Virgem Imaculada, a 25 de março.
Porém, sua maior atuação
foi contra a heresia monotelista, espalhada no Oriente e
no Ocidente, que negava a plena condição humana de
Cristo, ao declarar que Nele havia sim duas naturezas,
humana e divina, mas uma só vontade, a divina (o que é
contraditório, pois assim a natureza humana de Jesus não
seria real).
Para isso agiu com energia,
e, uma vez que o imperador do Oriente, Constante II, era
tolerante com os monotelitas, chegando a fazer um
decreto sobre a questão (o “Tipo de Constante”),
não esperou a confirmação imperial para a sua
consagração, e imediatamente convocou o Concílio de
Latrão, com 150 Bispos. O “Tipo” foi condenado,
bem como a “Ektésis” de Heráclio, outro imperador
oriental, também monotelista; foram excomungados os
patriarcas Sérgio, Pirro, Paulo de Constantinopla, Ciro
de Alexandria e Teodoro de Phran na Arábia; 20 cânones
da doutrina católica sobre as duas vontades em Cristo
foram definidas. Os decretos, firmados pelo Papa e pela
assembleia dos Bispos, foram enviados aos demais Bispos
e aos fiéis do mundo junto com uma encíclica de
Martinho. As atas, com uma tradução grega, foram
enviadas a Constante II – que como resposta mandou
prender o Papa. Olímpio, seu exarca (representante do
imperador romano do Oriente na qualidade de governador,
um na Península Itálica e outro na África), planejou
porém o assassinato do Papa, durante a distribuição da
Eucaristia, que por Providência divina falhou.
Teodoro Calíopas foi o novo
enviado de Constante II com a ordem de prisão, e
Martinho, para evitar violências, não resistiu, saindo
de Roma em junho de 653. Chegando em Constantinopla após
longa e sofrida viagem, sob privações, foi humilhado e
sujeito a maus-tratos: exposto semi-nu para a zombaria e
insultos da multidão; ficou preso num calabouço fétido,
passando fome, sede e frio, por mais de 80 dias; num
julgamento iníquo diante do senado foi rotulado de
herege, inimigo de Deus e do Estado, e sofreu diversas
acusações, que no fundo se resumiam a não ter assinado o
“Tipo”. Mas em nenhum momento perdeu a dignidade,
nem reconheceu autoridade nos seus juízes. Acabou
condenado à morte, mas Constante mudou a pena para
exílio, e assim o Papa foi levado para um local de
trabalho nas minas para escravos e assassinos em
Quersonerso (atual Sebastopol na Criméia, sul da
Ucrânia). Ali faleceu, doente e esquecido até pelos
parentes, em 16 de setembro de 655. Muitos milagres são
a ele atribuídos, tanto em vida quanto depois da morte.
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